 |
|
| Não letal: o modelo mais
avançado da Taser, vendido a R$ 3 mil, tem mira a laser e
alcance superior a sete metros |
|
.gif) |
.gif) |
| Violência |
| Fogo
amigo |
A arma que paralisa a vítima com um choque
elétrico passa a fazer parte do arsenal dos policiais
brasileiros |
.gif) |
| Felipe Gil |
Até o final deste ano, quando um policial brasileiro acionar
o gatilho de sua nova arma, bastará uma fração de segundos
para o ponto vermelho da mira a laser desaparecer e o sujeito
atingido cair inerte no chão. A diferença entre o disparo de uma
arma comum e o da pistola elétrica Taser, que o Brasil começa a
adotar, é que a vítima continua viva e consciente depois do tiro,
mas não consegue se mexer. As pistolas M26 e X26 produzidas pela
empresa americana Taser International são chamadas de armas “menos
letais”.
Segundo a empresa carioca Ability, representante da marca no
Brasil, as pistolas foram classificadas pelo Exército nacional como
de uso restrito das polícias e das guardas municipais. O governo
federal já deu sinal verde. Ricardo Balestreri, diretor do
departamento de pesquisa da Secretaria Nacional de Segurança Pública
(Senasp), apóia as alternativas às armas de fogo. “Em qualquer
confronto há danos, por isso incentivamos os Estados a adotar
equipamentos menos letais”, diz.
 |
| Tiro certo: produzidas
pela americana Taser International Inc., as pistolas emitem
dois dardos que se fixam à roupa ou à pele e disparam uma
carga elétrica de 50 mil volts com intensidade de 36
miliamperes, o que atenua a força do choque. A descarga
elétrica tem a propriedade de embaralhar as funções cerebrais
por alguns segundos e imobilizar a pessoa. Elas têm mira a
laser, bateria recarregável e guardam num chip a data e a hora
dos últimos dois mil disparos. Os tiros têm alcance de 4,5 a
7,6 metros e soltam cerca de 40 confetes coloridos, cada um
com o número de identificação do cartucho. No Brasil, apenas
as polícias e guardas municipais poderão usar a
arma |
Apesar de seu caráter menos lesivo, as pistolas da Taser não
escaparam da polêmica. De acordo com a Anistia Internacional, 100
pessoas já morreram nos EUA e no Canadá depois de atingidas pelos
disparos elétricos. A representante americana da Anistia Angela
Wright afirma que especialistas em homicídio consideraram que os
tiros da Taser desencadearam problemas cardíacos em pelo menos 13
pessoas.
Para o consultor Paulo Rogério Luz, da Ability, a versão da
Anistia é descabida: “A arma é usada em 35 países e mais de 150 mil
pessoas foram atingidas, eu mesmo tomei sete tiros como teste.” Ele
conta que a sensação é de dor e enorme aflição por ver e ouvir o que
se passa a sua volta sem conseguir mexer um músculo. Já Balestreri,
ex-representante da Anistia no Brasil, ameniza dizendo que o ideal
seria que o dano das armas fosse sempre zero. “Mas isso é idílico”,
diz. Para o médico Sérgio Timerman, especialista em medicina de
emergência, um choque de 50 mil volts com baixa amperagem representa
menos dano do que um choque na tomada de 110 volts.
Mesmo de uso restrito, nada garante que as armas não venham a ser
vendidas no mercado negro. No mês passado, a rede britânica BBC
noticiou o roubo de uma joalheria em Londres em que o atendente foi
atingido por uma pistola elétrica. Por isso, a Anistia recomenda que
o uso da Taser seja limitado apenas às situações em que se usaria
uma arma de fogo como outra qualquer. |