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SEGURANÇA

Pistola eletrizante

Arma que dá choque virou moda nos EUA e deve ser usada em aviões americanos contra terroristas e pela polícia do Senado em Brasília

SOLANGE AZEVEDO


Eraldo Peres/AP
CONGRESSO
A Polícia do Senado pretende usar o Taser para conter manifestantes

A arma que anda eletrizando os Estados Unidos é semelhante a uma pistola de brinquedo. Seu design futurista lembra o das pistolas usadas em filmes de ficção científica. Em vez de balas, ela dispara dois dardos que dão choque e paralisam o agressor. Batizada de Air Taser, tornou-se popular entre os americanos depois dos atentados de 11 de setembro. Ganhou a simpatia da polícia e de seguranças particulares. A United Airlines adquiriu 1.300 unidades e treinou seus pilotos para usá-las. Agora aguarda a liberação do governo para embarcar o apetrecho nas aeronaves. No Brasil, ele deverá ser utilizado pela polícia do Senado e pela PM do Acre.

O Taser custa cerca de US$ 800 e é usado em 32 países. O modelo mais popular é o M26. Mas o X26, lançado no ano passado, é menor e mostra a quantidade de disparos disponíveis. Ambos possuem mira a laser e armazenam na memória o histórico da utilização do equipamento, com data e horário. Quando o cartucho é deflagrado, libera 40 miniconfetes com o número de série. Isso identifica o autor do tiro e inibe possíveis excessos.

Em vez de uma bala, o Taser arremessa dois minidardos conectados com fios de até 6,40 metros de comprimento. Os projéteis são impulsionados pela explosão de uma cápsula de nitrogênio comprimido. A pressão dentro dessa cápsula é 69 vezes maior que a de um pneu de carro. Ao acertar o alvo, mesmo por cima da roupa, os pequenos eletrodos descarregam 50 mil volts. O choque interfere na comunicação do cérebro com o corpo. A pessoa fica paralisada e cai. A inércia pode durar 15 segundos.

Lucy Nicholson/AP
ANTITERRORISMO
A United Airlines comprou pistolas elétricas e treinou pilotos

''Embora a voltagem seja alta, a intensidade da corrente é baixíssima'', explica Paulo Rogério Luz, consultor da AbilityBR, que representa os produtos Taser no Brasil. Segundo ele, a combinação de alta voltagem com baixa amperagem não faz mal à saúde. ''Nos Estados Unidos, mais de 40 mil pessoas foram atingidas e nenhuma delas morreu'', garante Luz. Já os médicos fazem ressalvas. ''Essa arma não deve ser utilizada em pessoas cardiopatas'', diz Mário Maranhão, ex-presidente da Federação Mundial de Cardiologia. ''Pode produzir arritmias ou parada cardíaca. Também pode desligar temporariamente um marca-passo'', diz.

A polícia americana acredita que o tratamento de choque, com o Taser, possa reduzir o derramamento de sangue. Em 2002, os agentes da lei mataram 564 civis em todo o país. Nos EUA, diferentemente do Brasil, a polícia tem permissão para atirar em um bandido em fuga, pelas costas, mesmo que ele não esteja respondendo à bala. ''Nos EUA essa arma faz sucesso porque os policiais fazem ronda sozinhos'', diz Marcos do Val, instrutor da Swat e do Centro Avançado de Técnicas de Imobilização (Cati), cuja sede fica no Espírito Santo. ''Numa emergência, o suspeito pode ser imobilizado com o Taser e algemado. Mas numa situação de confronto, de troca de tiros, ela não substitui a arma convencional'', afirma. Tanto que, em Los Angeles, a Swat carrega o Taser de um lado da cintura e a pistola 40 do outro.



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Edição 317 - 14/06/04



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